Trabalhadores que não podem optar pelo teletrabalho exercem algumas das ocupações que mais registraram aumento nos desligamentos do emprego por morte no Brasil, segundo levantamento exclusivo feito para o jornal El País com base em informações do Ministério da Economia. O estudo abrange janeiro e fevereiro de 2020, antes da chegada da pandemia no país, e dois dos últimos meses da crise sanitária, no início de 2021.
Houve um aumento de 68% no número de mortes de frentistas de posto de gasolina e de 67% com operadoras de caixa de supermercado; 83 professores do ensino fundamental morreram, ante 42 no ano passado. Os dados não coletam apenas óbitos pela Covid-19, mas oferecem uma boa ideia do impacto da pandemia em serviços que são essenciais na hora de definir quem fica em casa, mas ficam no final da fila das prioridades na vacinação.
Um em cada 10 distantes
A exigência de benefícios por incapacidade pela Covid-19 já representa 10% no total de pedidos ao INSS, afirma a advogada Carla Benedetti, coordenadora da pós-graduação em Direito Previdenciário do Estratégia Concursos.
Os afastamentos só não superam os pedidos por doenças ortopédicas, segundo dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. O INSS registrou mais de 37 mil pedidos de afastamento por conta de incapacidade relacionada à contaminação do vírus. Houve um aumento de 165%, se comparado a 82 com 2019, no pedido de afastamentos por doenças respiratórias, chegando a 51.327 afastamentos por esta causa.